Author Evando B. Sathler


No caso do ecoturismo, terão melhor chance de sobrevivência as operadoras que desenvolvam trabalhos próximos à sua sede. Ou seja, a territorialização, super-especialização de serviços. Por exemplo, uma operadora do Rio de Janeiro que opere serviços no Rio de Janeiro e no resto do Brasil, perderá gradualmente terreno para as operadoras locais dos destinos fora de sua área base. Cada operador local poderá oferecer seus serviços com preços diretamente ao ecoturista, descartando aí os comissionamentos somados ao longo da venda. Essa prática obriga as agencias a serem mais criativas e se adaptarem aos novos tempos de globalização.

A questão não é unicamente preço. O ecoturista, demonstra através da Internet, o prazer, a sensação, o desafio de encontrar informações mais próximas do destino desejado. Portanto, ainda que uma operadora do Rio de Janeiro faça um excelente trabalho em Manaus, as chances naturais são de que o cliente opte por fechar diretamente com o operador local.

Naturalmente estamos falando de uma tendência para o futuro, observada já por algumas operadoras de ecoturismo ligadas à rede e por uma pesquisa que venho desenvolvendo na Internet. A rede vem ainda se delineando. No Brasil, as telecomunicações, ainda com os avanços observados, deixa muito a desejar. Com isso, localidades com atributos ecoturisticos que não dispõem ainda de telefonia levarão mais tempo para atrair diretamente seus clientes.

Assim, com a tendência apresentada, operadores deverão se adaptar, cada qual em seu território, para fornecer serviços com excelência e específicos, pois o ecoturismo vem se disseminando pelos quatro cantos do mundo com toda sorte de aventureiros, que encontram na insipiência do setor uma oportunidade para a prática de condutas pouco éticas ou mesmo sem qualquer sustentabilidade ambiental. É o "ecoportunismo", como bem colocou Roberto Mourão, na inauguração da coluna ECOTURISMO do PANROTAS, edição inaugural de janeiro de 1997. Pela Internet é mais fácil identificar os verdadeiros operadores de ecoturismo, prestigiando-os e contribuindo para consolidar uma atividade cujo cerne é a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável. O ecoturismo até pode ser comparado a uma "epidemia global" e a Internetapresenta-se como sua vacina.

Evandro Sathler é diretor de relações públicas da FUNIVALE- Assoc. pró-FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA VALE DO JEQUITINHONHA * Diretor de marketing da THE QUEST - Ecoturismo & Aventura - no Rio de Janeiro * Formando em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira - Niterói - Rio de Janeiro



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